LAGOA DE PATAIAS

A Lagoa de Pataias situa-se na mancha do pinhal de Leiria, junto à povoação de Pataias.
Fica também num dos principais eixos migratórios de aves aquáticas existentes no país, a par do Rio Minho, Ria de Aveiro, Baixo Mondego e Estuário do Tejo, sendo imprescindível para o repouso e abrigo das aves invernantes.
Constitui o núcleo de um pequeno ecossistema e abrange uma área de 5 a 6 há, com o eixo maior de cerca de 400 metros e o menor de cerca de 125 metros.
Sob o ponto de vista geológico, a Lagoa está envolvida por três formações diferentes que se situam no Cretácio, Neogénico e Moderno.
O nível da água vai variando ao longo do ano, consoante a época das chuvas e a estação seca do Verão.
Toda a margem é percorrida por caminhos de fácil acesso a peões e veículos de todo o terreno, os quais contribuem para a sua degradação.
Apesar da sua história como local de grande riqueza ambiental em termos de espécies de fauna e flora, a Lagoa de Pataias nunca deixou de ser alvo de agressão por parte do ser humano.
Na década de oitenta, foi sinónimo de "amor", pois era o local predilecto dos namorados . Infelizmente, estes não se preocuparam em preservar a lagoa, deixando frequentemente lixo.
No princípio dos anos noventa, a Lagoa foi alvo de uma limpeza pelos Bombeiros Voluntários, em conjugação com a Câmara Municipal de Alcobaça. Contudo, devido a uma período de seca, a Lagoa quase desapareceu, pois ao ser-lhe retirado o lodo, a areia absorveu a água, deixando apenas algumas poças.
Felizmente, vieram as chuvas e tudo se normalizou.
No entanto, os recipientes para o lixo e os bancos e mesas ali deixados pela Câmara não surtiram o efeito pretendido, tanto mais que o camião do lixo nem sempre lá passava.
Outras medidas importantes para a preservação da Lagoa foram : a proibição da circulação de veículos nas suas margens, para evitar que a terra se soltasse; e a proibição da caça, que permitiu o retorno dos patos que, agora, se podem reproduzir à vontade.
Hoje, há centenas de aves de diversas espécies que tornam a Lagoa num sítio digno de ser visto e respeitado.
 

VEGETAÇÃO DA LAGOA

A depressão ocupada pela Lagoa é constituída por solos arenosos, sendo a vegetação em vota pobre em espécies, devido à predominância do pinhal, ao corte do mato e a outras acções humanas.
A margem sul é a mais rica em vegetação terrestre, observando-se uma linha de vegetação lenhosa ripícola constituída por salgueiros (género Salix) e gramíneas típicas.
Na parte adjacente da massa de água existe uma grande abundância de macrófitas aquáticas com a parte aérea emersa, dominada por espécies dos géneros Phragmites e Typha.
Ao meio da Lagoa podem observar-se manchas de golfão branco (Nymphae alba) e, em vários locais perto das margens, plantas flutuantes da família das Lamnaceas.
Podem ainda observar-se acácias, espécie infestante de que existem exemplares ao longo das estradas e em áreas mais frescas.
 

FAUNA AQUÁTICA

Algumas aves e batráqueos são espécies que podem facilmente ser observadas na Lagoa.
Destacam-se, pelo tamanho, as seguintes aves:
Himantopus himantopus              Gallinulla chloropus              Anas platyrrhnchus
             
       (Perna-Longa)                           (Galinha d’água)                      ( Pato Real)

Algumas espécies de peixes podem também ser observadas, destacando-se:
                        Micropterus salmoides                                                    Ciprino
             
             (Achigã)                                                                               (Carpa)

Antes do desassoreamento, podiam observar-se bastantes cágados. Estes foram levados para casa por algumas pessoas que durante as obras os foram encontrando, sendo, neste momento, o seu número bastante mais escasso.
É também possível encontrar algumas espécies de libelinhas, raras noutros locais, além de sapos e bastantes girinos (presença de rãs).

Textos: Professoras Celeste Freire e Teresa Faria